Saquinho forrado

Volta e meia tenho dificuldade em levar objetos sensíveis a impacto (tablet, lápis delicados, etc) na mochila.

Resolvi então fazer um saquinho forrado com algo “fofo” para resistir a pequenos impactos.

Eu tinha aqui alguns retalhos e decidi trabalhar com eles.

materiais

Eu gosto muito dessa estampa mas não acho mais para comprar em lugar nenhum. Aliás, estampa boa é que nem azulejo: saiu da moda, nunca mais a gente encontra.

padronagem

Como sempre, eu gosto de vincar no ferro antes de costurar.

marcação

Como esse forro é prático e barato mas não é agradável ao toque e ainda solta uns “pelinhos” de vez em quando, achei melhor colocar outro tecido na parte interna. Usei um retalho de cetim.

Fiquei com medo do forro ficar muito solto por dentro e não poder lavar com facilidade, então decidi fazer uma costura imitando patchwork para fixar o conjunto todo.

cetim (interno)

Costurei as laterais e virei pro lado certo.

resultado

Para passar o cordão que fecha o saquinho, usei o velho truque do alfinete de segurança.

corda

E eis o resultado final:

 resultado final

 

Mesa de corte – II

Feitos os preparativos básicos para a mesa, o problema a ser resolvido é a fixação, segura e prática, para transformar máquinas manuais em máquinas fixas.

Não fazia a menor ideia de qual seria a melhor forma de fixar e acabei estabelecendo algumas condições. Eu não podia alterar ou danificar a estrutura da máquina, ela deveria manter as características de máquina manual mesmo sendo usada temporariamente como fixa.  O objetivo é a obtenção de cortes retos, portanto, a fixação precisa ser bastante firme para máquina não mudar de posição durante o trabalho. A segurança é imperiosa. O risco da máquina se soltar deve ser zero. E, finalmente, a montagem e desmontagem devem ser processos rápidos.

Isso acabou levando mais tempo que o esperado e o resultado é o que vai abaixo.

1. Preparação do rebaixo para o encaixe da serra e da tupia.

berço

Escavei um “berço” para a base da serra com 10 mm usando a tupia.

Neste processo surge o primeiro probleminha. Apressadinho (ansioso), comecei a fresar a prancha sem verificar se tinha apertado a fresa à tupia. Cabeção! A fresa se soltou e perfurou o tampo… Pelo menos não saiu voando e não me atingiu.

Vejam o belo rombo no canto inferior esquerdo.

problema

Usei o mesmo processo de fresagem para o “berço” da tupia, que na foto já está encaixada.

fresagem

A opção pelos rebaixos tem dois motivos. Primeiro é compensar, em parte, a perda do alcance da ferramenta no lado de cima da mesa, por exemplo, como a prancha tem 22 mm de espessura e as ferramentas manuais tem o zero (limite entre a ferramenta e o objeto) na sua base, eu perderia estes 22 mm na altura de trabalho da fresa e na altura da lâmina da serra. O segundo motivo, principalmente para serra, é encontrar o ponto central da lâmina rapidamente Encaixada a base no “berço” eu sei que a lâmina está no centro do rasgo do tampo e perpendicular à sua borda (praticidade na montagem e desmontagem).

BÔNUS 1… como não me conformava com o estrago que meu descuido provocou no tampo e ainda não tinha certeza de como fixar o equipamento, resolvi dedicar algum tempo a “limpar a sujeira”.

limpar a sujeira

Com formão, lixa e grosa deixei o buraco o mais regular que pude. Cortei uma apara de peroba rosa em forma de cunha praticamente no mesmo formato. Como a peroba é bem mais dura que a madeira do tampo martelei a cunha (devidamente lambuzada de cola) o que foi possível para dentro do buraco. Sendo mais dura ela forçou as fibras do tampo e se encaixou sem deixar frestas.

peroba rosa

Depois que a cola secou só fiz o acabamento com a plaina e lixa. Tirando a diferença na cor nem parece que são duas peças coladas fazendo o “remendo”.

2. Fixação da serra.

Estava preocupado com a serra. Nos meus pesadelos eu a via sair voando contra meu peito e me serrando ao meio. Realmente tenho muito respeito (paura!!!) por serras. Desta forma surgiu o paradoxo. A fixação teria de ser segura mas não poderia ser definitiva, deveria haver facilidade em montar e desmontar as duas ferramentas. Também não me agradava a ideia de estragar a base original fazendo furações extras.

A ideia que prevaleceu foi distribuir a fixação não em um ou dois pontos grandes, mas em quatro pontos ao longo da base sem furá-la mas por pressão.

Eu costumo guardar retalhos de tudo. Num de meus projetos antigos eu utilizava partes de mãos francesas como suporte (depois vou postar este projeto) e os pedaços que sobraram iam servir.

retalhos

Como não tenho equipamento de serralheiro, usei o clássico (primitivo) estilo força bruta. Com auxílio de marreta e uma morsa (achada numa caçamba) preparei 4 ganchos de fixação.

ganchos de fixação

Dobrei, serrei, esmerilhei e, para ficar bonito, retirei a ferrugem e a tinta velha com uma escova de aço. Ficou bonito! Veja a diferença com e sem o acabamento antigo.

4 ganchos de fixação

Depois disso, providenciar um furo (alguém já tentou furar aço com broca para madeira?) em cada uma para passar um parafuso e está resolvida a fixação.

A ideia era mais ou menos esta.

resultado

E ficou ótimo, fiquei feliz comigo mesmo.

porcas borboleta

As porcas borboleta são práticas e confiáveis. Os parafusos são do tipo francês de 3/16 por 2″ e estão embutidos no tampo.

resultado

Aqui já na posição definitiva, vista por baixo. Uma fixação segura e prática.

E a lâmina em perfeitos 90º.

lâmina

3. Fixação da tupia.

Já a base da tupia não permitia a fixação da mesma forma. Suas dimensões são bem mais modestas.

tupia

Então, olhando os acessórios que vinham na caixa notei que a guia lateral era montada com duas hastes de aço. Essas hastes se soltavam do conjunto simplesmente soltando um parafuso e elas, por sua vez, se fixavam à base da tupia como é visível na foto. Cavei dois encaixes para as hastes no tampo.

Fiz encaixes para os mesmos grampos que usei para a serra.

grampos

E parafusei com os mesmos parafusos com porca borboleta.

resultado

resultafo

Angulação da fresa.. 90º.

90º

Obviamente já testei e achei satisfatório o resultado.

Agora pensar na parte elétrica, nas guias de corte e no acabamento.

BÔNUS 2….

Lembram da morsa que aparece ai em cima (encontrada numa caçamba)? Uma morsa nº 4 que, nova, custa uns 100 reais. Estava enferrujada e meio emperrando. Com a escova de aço acoplada à furadeira, um pouco de graxa e tinta spray (sobra de um outro projeto) tenho uma morsa grátis com um bom tempo de uso pela frente.

Morsa

Morsa

Morsa

Mesa de corte – I

Agora inicio o motivo desta incursão no mundo blogueiro. Mostrar meu projetos. Não que seja necessário ficar mostrando. Na verdade fazê-los já é o prazer em si. A questão é que, quando dá certo, mesmo meio certo, vem aquela sensação… Preciso mostrar pra alguém. Se está na net isso já fica implícito. Pelo menos o pessoal da CIA vai ver…. Resolvi levar a cabo um projetinho necessário. Minhas ferramentas ainda não são as melhores e, principalmente o corte reto estava ficando difícil. Muita medida, muito grampo sargento, guia pra lá, guia pra cá. Resolvi fazer uma mesa de corte e fixar minha serra circular.

1. O primeiro passo foi uma base firme, mas leve. Bem travada pra não bambear com o tempo.

base firme

Quatro pedaços de um pontalete 7×7 de pinus com 35 cm cada. Cintei tanto a base quanto o topo com sarrafos também de pinus 4×2. Fiz a devida junção com rebaixo e fixei com cola e parafuso.

base

Repare nos encaixes da maior qualidade. Quando eu conseguir comprar formões de primeira, então. Se bem que trabalhar com pinus é como em manteiga quente.

Atente para o rebaixo nos parafusos.. Coisa de profissional…..

rebaixo nos parafusos

2. Um tampo plano, largo, pesado e grosso suficiente para minha mesa de corte. Aí entra outra coisa que não me envergonho mais: o assalto às caçambas de entulho da vizinhança.

tampo

Uma bela tábua de 50 cm de largura por 100 cm de comprimento e 20 mm de espessura, maciça, com zero de empeno. Assentou direitinho.

tampo

Assim, meio suja de tinta e riscada, parece mesmo coisa que veio do lixo de alguém. Fixei em 8 pontos com parafuso de baixo para cima para manter a superfície limpa.

Aí vai um parenteses… O melhor que pode acontecer quando você pega esse material “reciclado”, principalmente madeira jogada fora são as surpresas. Resolvi lixar um pedacinho da tábua e fazer um leve polimento com óleo mineral para ver o que dava…

madeira boa

Olha que coisa linda!!! Quase não resisti à tentação de abortar o projeto e fazer uma mesa de centro ou algo assim.

3. Agora preparar para transformar o conjunto numa mesa de corte. Primeiro passo: uma visão geral de como vai ser a montagem.

Mais coisas “do lixo”, três pedaços perfeitos de peroba, já aparelhados para fazer a guia.

rasgo para serra

Pretendo fazer um rasgo nas duas menores e fixar com parafuso e porca borboleta no tampo. Ao lado de uma delas, um ponteiro, e embutir no tampo uma régua metálica de 60 cm para fazer a marcação do tamanho do corte.

Para a furação e o rasgo da serra, vamos às marcações.

O rasgo para serra.

marcações

E o furo para tupia.

tupia

Uma verdadeira mesa multiuso.

Bem. Amanhã termino a mesa de corte. Trarei novas fotos.

camiseta

Comprei uma camiseta dessas bem baratas no supermercado. A gola apertava e sobrava camiseta na cintura, me fazendo parecer um balão sufocando.

camiseta original

Então resolvi cortar fora a gola e afinar a cintura.

marcação do corte gola cortada

Só que eu não tenho máquina de overlock, então precisei escolher alguma coisa para colocar na gola, de acabamento, para a camiseta não desfiar.

Escolhi colocar um viés. Antes de alfinetá-lo para costurar, passei no ferro “vincando” no meio para evitar que escorregasse.

vinco no viés viés colocado costurando o viés na gola

O certo é costurar a dobrinha da frente do viés pelo avesso na borda, depois dobrar e fazer uma costura invisível do outro lado, mas eu não me incomodo com a costura aparecendo e a preguiça venceu.

Depois de costurado, senti falta de algum detalhe que visualmente completasse o viés, então resolvi colocar um pedaço pequeno de outro que eu tinha aqui com a mesma estampa mas de cor diferente.

viés sobre viés, detalhe viés costurado

Aí chegou a hora da cintura. Vesti a camiseta no avesso para marcar.

primeira medida da cintura

E tracei o corte dos dois lados.

marcando a cintura

E, claro, precisei trocar a linha da máquina. Acho que a colocação das linhas (são duas) foi o que eu demorei mais tempo para dominar bem da parte do maquinário.

trocando a linha na máquina

Fiz então a primeira costura, dos dois lados da camiseta e cortei o excedente.

costura da cintura cintura cortada

E aí tem o mesmo problema da malha desfiar. Já disse que não tenho uma overlock, né? Então… Tem um truque para contornar este problema.

posição da agulha zigue-zague

A gente faz uma costura em zigue-zague bem aberta, de forma que a agulha faça um ponto no tecido e um ponto fora  (propositalmente).

acabamento em zigue-zague

Na hora em que a agulha volta (sobe), o ponto se fecha na borda do tecido. Desta forma, não desfia. Não usei esse truque na gola porque é funcional mas não é bonito. O resultado fica assim:

acabamento em zigue-zague pronto

Não é perfeito mas para uma costura interna (está do avesso, lembra?), funciona perfeitamente bem.

A camiseta ficou assim:

camiseta pronta

🙂