Mesa de corte – II

Feitos os preparativos básicos para a mesa, o problema a ser resolvido é a fixação, segura e prática, para transformar máquinas manuais em máquinas fixas.

Não fazia a menor ideia de qual seria a melhor forma de fixar e acabei estabelecendo algumas condições. Eu não podia alterar ou danificar a estrutura da máquina, ela deveria manter as características de máquina manual mesmo sendo usada temporariamente como fixa.  O objetivo é a obtenção de cortes retos, portanto, a fixação precisa ser bastante firme para máquina não mudar de posição durante o trabalho. A segurança é imperiosa. O risco da máquina se soltar deve ser zero. E, finalmente, a montagem e desmontagem devem ser processos rápidos.

Isso acabou levando mais tempo que o esperado e o resultado é o que vai abaixo.

1. Preparação do rebaixo para o encaixe da serra e da tupia.

berço

Escavei um “berço” para a base da serra com 10 mm usando a tupia.

Neste processo surge o primeiro probleminha. Apressadinho (ansioso), comecei a fresar a prancha sem verificar se tinha apertado a fresa à tupia. Cabeção! A fresa se soltou e perfurou o tampo… Pelo menos não saiu voando e não me atingiu.

Vejam o belo rombo no canto inferior esquerdo.

problema

Usei o mesmo processo de fresagem para o “berço” da tupia, que na foto já está encaixada.

fresagem

A opção pelos rebaixos tem dois motivos. Primeiro é compensar, em parte, a perda do alcance da ferramenta no lado de cima da mesa, por exemplo, como a prancha tem 22 mm de espessura e as ferramentas manuais tem o zero (limite entre a ferramenta e o objeto) na sua base, eu perderia estes 22 mm na altura de trabalho da fresa e na altura da lâmina da serra. O segundo motivo, principalmente para serra, é encontrar o ponto central da lâmina rapidamente Encaixada a base no “berço” eu sei que a lâmina está no centro do rasgo do tampo e perpendicular à sua borda (praticidade na montagem e desmontagem).

BÔNUS 1… como não me conformava com o estrago que meu descuido provocou no tampo e ainda não tinha certeza de como fixar o equipamento, resolvi dedicar algum tempo a “limpar a sujeira”.

limpar a sujeira

Com formão, lixa e grosa deixei o buraco o mais regular que pude. Cortei uma apara de peroba rosa em forma de cunha praticamente no mesmo formato. Como a peroba é bem mais dura que a madeira do tampo martelei a cunha (devidamente lambuzada de cola) o que foi possível para dentro do buraco. Sendo mais dura ela forçou as fibras do tampo e se encaixou sem deixar frestas.

peroba rosa

Depois que a cola secou só fiz o acabamento com a plaina e lixa. Tirando a diferença na cor nem parece que são duas peças coladas fazendo o “remendo”.

2. Fixação da serra.

Estava preocupado com a serra. Nos meus pesadelos eu a via sair voando contra meu peito e me serrando ao meio. Realmente tenho muito respeito (paura!!!) por serras. Desta forma surgiu o paradoxo. A fixação teria de ser segura mas não poderia ser definitiva, deveria haver facilidade em montar e desmontar as duas ferramentas. Também não me agradava a ideia de estragar a base original fazendo furações extras.

A ideia que prevaleceu foi distribuir a fixação não em um ou dois pontos grandes, mas em quatro pontos ao longo da base sem furá-la mas por pressão.

Eu costumo guardar retalhos de tudo. Num de meus projetos antigos eu utilizava partes de mãos francesas como suporte (depois vou postar este projeto) e os pedaços que sobraram iam servir.

retalhos

Como não tenho equipamento de serralheiro, usei o clássico (primitivo) estilo força bruta. Com auxílio de marreta e uma morsa (achada numa caçamba) preparei 4 ganchos de fixação.

ganchos de fixação

Dobrei, serrei, esmerilhei e, para ficar bonito, retirei a ferrugem e a tinta velha com uma escova de aço. Ficou bonito! Veja a diferença com e sem o acabamento antigo.

4 ganchos de fixação

Depois disso, providenciar um furo (alguém já tentou furar aço com broca para madeira?) em cada uma para passar um parafuso e está resolvida a fixação.

A ideia era mais ou menos esta.

resultado

E ficou ótimo, fiquei feliz comigo mesmo.

porcas borboleta

As porcas borboleta são práticas e confiáveis. Os parafusos são do tipo francês de 3/16 por 2″ e estão embutidos no tampo.

resultado

Aqui já na posição definitiva, vista por baixo. Uma fixação segura e prática.

E a lâmina em perfeitos 90º.

lâmina

3. Fixação da tupia.

Já a base da tupia não permitia a fixação da mesma forma. Suas dimensões são bem mais modestas.

tupia

Então, olhando os acessórios que vinham na caixa notei que a guia lateral era montada com duas hastes de aço. Essas hastes se soltavam do conjunto simplesmente soltando um parafuso e elas, por sua vez, se fixavam à base da tupia como é visível na foto. Cavei dois encaixes para as hastes no tampo.

Fiz encaixes para os mesmos grampos que usei para a serra.

grampos

E parafusei com os mesmos parafusos com porca borboleta.

resultado

resultafo

Angulação da fresa.. 90º.

90º

Obviamente já testei e achei satisfatório o resultado.

Agora pensar na parte elétrica, nas guias de corte e no acabamento.

BÔNUS 2….

Lembram da morsa que aparece ai em cima (encontrada numa caçamba)? Uma morsa nº 4 que, nova, custa uns 100 reais. Estava enferrujada e meio emperrando. Com a escova de aço acoplada à furadeira, um pouco de graxa e tinta spray (sobra de um outro projeto) tenho uma morsa grátis com um bom tempo de uso pela frente.

Morsa

Morsa

Morsa

Mesa de corte – I

Agora inicio o motivo desta incursão no mundo blogueiro. Mostrar meu projetos. Não que seja necessário ficar mostrando. Na verdade fazê-los já é o prazer em si. A questão é que, quando dá certo, mesmo meio certo, vem aquela sensação… Preciso mostrar pra alguém. Se está na net isso já fica implícito. Pelo menos o pessoal da CIA vai ver…. Resolvi levar a cabo um projetinho necessário. Minhas ferramentas ainda não são as melhores e, principalmente o corte reto estava ficando difícil. Muita medida, muito grampo sargento, guia pra lá, guia pra cá. Resolvi fazer uma mesa de corte e fixar minha serra circular.

1. O primeiro passo foi uma base firme, mas leve. Bem travada pra não bambear com o tempo.

base firme

Quatro pedaços de um pontalete 7×7 de pinus com 35 cm cada. Cintei tanto a base quanto o topo com sarrafos também de pinus 4×2. Fiz a devida junção com rebaixo e fixei com cola e parafuso.

base

Repare nos encaixes da maior qualidade. Quando eu conseguir comprar formões de primeira, então. Se bem que trabalhar com pinus é como em manteiga quente.

Atente para o rebaixo nos parafusos.. Coisa de profissional…..

rebaixo nos parafusos

2. Um tampo plano, largo, pesado e grosso suficiente para minha mesa de corte. Aí entra outra coisa que não me envergonho mais: o assalto às caçambas de entulho da vizinhança.

tampo

Uma bela tábua de 50 cm de largura por 100 cm de comprimento e 20 mm de espessura, maciça, com zero de empeno. Assentou direitinho.

tampo

Assim, meio suja de tinta e riscada, parece mesmo coisa que veio do lixo de alguém. Fixei em 8 pontos com parafuso de baixo para cima para manter a superfície limpa.

Aí vai um parenteses… O melhor que pode acontecer quando você pega esse material “reciclado”, principalmente madeira jogada fora são as surpresas. Resolvi lixar um pedacinho da tábua e fazer um leve polimento com óleo mineral para ver o que dava…

madeira boa

Olha que coisa linda!!! Quase não resisti à tentação de abortar o projeto e fazer uma mesa de centro ou algo assim.

3. Agora preparar para transformar o conjunto numa mesa de corte. Primeiro passo: uma visão geral de como vai ser a montagem.

Mais coisas “do lixo”, três pedaços perfeitos de peroba, já aparelhados para fazer a guia.

rasgo para serra

Pretendo fazer um rasgo nas duas menores e fixar com parafuso e porca borboleta no tampo. Ao lado de uma delas, um ponteiro, e embutir no tampo uma régua metálica de 60 cm para fazer a marcação do tamanho do corte.

Para a furação e o rasgo da serra, vamos às marcações.

O rasgo para serra.

marcações

E o furo para tupia.

tupia

Uma verdadeira mesa multiuso.

Bem. Amanhã termino a mesa de corte. Trarei novas fotos.